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Salve rapa! Tá aí no mundão o clipe ao vivo de Triunfo! Esse é um daqueles vídeos que cê vai se achar lá dentro do bang, ficou louco. Aproveitando a oportunidade, recordei 10 curiosidades do show de lançamento dessa música, 10 anos atrás, direto do HD do Emicida… leia abaixo depois de assistir o clipe!

1- José Luis aka Djose, nosso primeiro planilheiro, estourou o cartão de crédito da mãe dele com o custo dos flyers para divulgação, queríamos colocar 300 pessoas pagantes no pico (e conseguimos), para isso fizemos ao todo cinco mil flyers 10×15 e colocamos em todo lugar por onde passávamos.

2- Nenhuma marca (dessas que dão tênis, roupa, adesivo) quis apoiar o lançamento. Alegavam que “rap não dava nenhum retorno”. Precisávamos fazer uma segunda leva de flyers (duas vezes de 2.500 $) e para tal, fomos batendo na porta de lojas/marcas que nos assediavam nas batalhas de freestyle. Nenhuma quis participar. As duas que constam no flyer deram cada uma 60 reais após muuuuuuita insistência. Aquilo foi humilhante para nóiz e chegamos a conclusão que nunca mais poderíamos contar com aquele tipo de parceria, nos tornamos independentes dos independentes.

3- Para fazer as cópias dos CDs, pifamos 3 copiadoras dos computadores nas casas de amigos, eram muitas cópias a serem feitas e as máquinas não aguentaram. (As amizades já se reestabeleceram, hoje somos todos amigos de novo.)

4- Queríamos fazer um baile especial, com aquelas pulseiras de área VIP que as festas de playboy tinham, mas não sabíamos onde conseguir. Nossa solução foi comprar daqueles lacres “enforca-gato” e colocá-los no pulso das pessoas que chegavam no baile. Uns 20 minutos depois, todas as pessoas retornavam a portaria pois a mão delas estava sufocada e ficando ultra vermelha (quase roxa).

Arrumamos uma tesoura as pressas e todos estão com as duas mãos até hoje.

5- O pico onde fizemos o baile, decidiu iniciar uma reforma, 20 dias antes do nosso evento sem nos consultar. Quando descobrimos, eles disseram que poderíamos remarcar tranquilamente, porém tínhamos gasto o dinheiro que não tínhamos naquela organização e mudar a data seria como decretar a morte daquele plano audacioso. Resultado: Juntamos um bonde e fomos no melhor estilo favela ameaçar os caras, que vendo aquele monte de preto mal encarado, disseram que conseguiriam entregar o pico e honrar a data. No final, a reforma não acabou a tempo e fizemos o baile com a tinta das paredes ainda fresca (desculpem-nos, todos os que se sujaram!) e sacos de cimento nos banheiros.

6- A primeira vez que tocamos Triunfo foi no sul, mais precisamente em Porto Alegre, junto com Kamau e abrindo o show do Slim Rimografia. Isso no saudoso Gê Powers, um ponto importante da cultura preta até então na capital gaúcha.

7- Ao ver o lugar cheio, fiquei emocionado e todo estabanado. Subi no palco e atingi sem querer nossa amiga Antônia que estava grávida na primeira fila, passei o show inteiro desesperado pensando – ai meu deus, dei uma cotovelada na mulher grávida, vai nascer prematuro.

(De fato o pequeno Raul nasceu antes do tempo, mas fora do baile e algum tempo depois.)

8- Evandro Fióti, o rei da jornada dupla, terminou seu expediente junto ao palhaço Ronald Mcdonald e seus hambúrgueres e correu para o show para ser o empresário.

9- No dia do lançamento, nossas economias já haviam se esgotado, então rachamos 2 pratos-feitos no Centro, que custavam 6 reais cada e tivemos que brigar por que o cara não queria nos deixar pegar feijão. Tretamos feio e apelidamos ele de Sem-Feijão.

10- Rashid, Kamau e eu estávamos no palco e devido a reforma recente, ainda não havia sistema de ventilação e nem ar condicionado na casa. Fizemos o show sem camisa. Quando fomos ver os retratos, todos em plano americano davam a impressão de que estávamos cantando sem roupa, apenas de boné e microfone, tipo strippers. Se você ver uma dessas fotos algum dia, acredite, estávamos vestidos da cintura para baixo…

Emicida

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